Pilates nasceu da paixão, dedicação e persistência de um homem, por muitos considerado visionário que, focado inicialmente em superar as suas próprias fraquezas, rapidamente se apercebeu que o estilo de vida e o ritmo imposto pela sociedade moderna eram pagos à custa da saúde física e mental da população em geral e que eram inerentes à nossa condição natural, enquanto seres em contacto mais direto com a natureza.

Embora inicialmente pouco conhecido, e praticado apenas nos EUA por um grupo muito restrito, o método Pilates tem vindo a conhecer uma expansão extraordinária, iniciada nos finais da década de 90, sendo hoje uma prática cada vez mais afirmada e procurada a nível mundial. Esta expansão levou necessariamente ao surgimento de escolas que promoveram algumas adaptações e alterações que, frequentemente, desvirtuam o método afastando-o dos objetivos e benefícios que o mesmo pretende atingir. No entanto, se for mantido na sua vertente clássica ou autêntica, com base na qual foi desenvolvido, a prática de Pilates ou, como foi originalmente apelidada pelo seu criador, Contrologia, traduz-se em inúmeros benefícios físicos e mentais, que qualquer praticante bem orientado sentirá em poucas sessões. De todos os benefícios destacam-se os seguintes:

 

1 – Concentração: O stress e cansaço acumulados, resultantes das mil e uma tarefas urgentes que cada vez mais ocupam o nosso dia-a-dia e que muitas vezes nos roubam daqueles preciosos momentos de relaxamento e de conexão connosco mesmos, traduzem-se facilmente numa sensação de falta de capacidade de concentração geral, resultando por vezes em ciclos viciosos de mais stress e maior incapacidade de concentração. Sendo um dos princípios basilares do Pilates, o treino do nosso foco para um determinado movimento, exercício ou objetivo pode ser transportado para fora da aula e aplicado no dia-a-dia. A prática de Pilates traduz-se, assim, num incremento da disciplina mental e na potenciação da capacidade de realizar tarefas de forma mais organizada, eficaz e produtiva.

 

2 – Autoconsciência ou controlo: É a essência do Pilates, definido pelo próprio como “ (…) o controlo consciente de todos os movimentos musculares do corpo”. Aprender que a nossa mente consegue, de facto, controlar todos os movimentos que realizamos e quais os músculos que devemos utilizar e os que não devemos utilizar nesses movimentos, perceber como criar e fortalecer essa conexão e traduzi-la no reforço de posturas corretas e na correção de fragilidades são objetivos de um praticante de Pilates. Compreender esses objetivos e trabalhar para eles significa um maior conhecimento do nosso próprio corpo, uma maior saúde muscular, articular e geral, que se refletirão não só numa maior sensação de bem-estar geral, como também numa mente e corpo mais fortes, melhorando também a performance de quaisquer outras atividades físicas.

 

3 – Harmonia/Equilíbrio: Vivemos numa sociedade onde o corpo fit, o “6-pack” e o desenvolvimento de um bom tónus e definição musculares são muito valorizados, mas que desconhece que o que sustenta e alimenta esse lado exterior, visível a qualquer observador é o que está por detrás da mesma. Os exercícios de Pilates foram formulados para permitir a um observador mais atento identificar as fragilidades ou desequilíbrios de cada corpo específico e, depois, trabalhá-las de dentro para fora e do centro para a periferia, conferindo uma verdadeira harmonia através do trabalho dos músculos posturais, que tantas vezes negligenciamos mas que são fundamentais, sobretudo para dar sustentação, estabilidade, força e permitir o funcionamento adequado quer da nossa coluna e articulações, quer dos restantes músculos que tanto procuramos desenvolver.

 

4 – Força e Flexibilidade: Se pensa que Pilates é algo fácil, pensado para idosos e pessoas com dores de costas, fica lançado o desafio para vir mudar de opinião! Na verdade, o método foi pensado sobretudo para prevenir problemas antes de eles aparecerem. Como tal, irá atacar as suas debilidades morfológicas específicas e procurar eliminá-las e isso requer força e resistência quer mental quer física. Com o objetivo de construir corpos que traduzam 50% força e 50% flexibilidade, cada um dos exercícios da sequência constitui um desafio único para o praticante, porque cada corpo é um corpo. E para quem gosta de desafios, saber que quanto mais vezes fizer, mais difícil se irá tornar, será certamente uma boa notícia!

 

Prof. Alexandra Craveiro