Uma chamada de atenção para a importância do sono, o impacto no peso, bem-estar físico, psicológico, recuperação física, memória, eficácia… e o combate da insónia.

 Parece uma temática básica e rudimentar, mas é naturalmente fundamental. Mas, talvez, por ser básica, desvalorizamos, por vezes, a sua importância.

Mas antes de mais uma coisa engraçada… Sabias que o sono é definido como o intermédio entre um estado de vigília e a morte? Pronto, agora já somos dois.

Ora, vamos lá.

Apesar de não existir um consenso na explicação do porquê de termos de dormir, sabemos que regeneramos, e que se trata de um processo fundamental para o nosso metabolismo e que determina a nossa funcionalidade no dia-a-dia. Destaca-se o facto de entrarmos num estado anabolizante: de restauro para músculos, sistema nervoso, esquelético e imunológico. Afinal, é por uma boa razão que dormimos um terço das nossas vidas.

O aumento de peso, em conjunto com patologias cardiometabólicas ligadas à obesidade têm vindo a ser investigadas em múltiplos estudos. Mas não só para quem dorme pouco. Igualmente para quem dorme demasiado! Ou seja, estão em risco todos aqueles que dormem menos do que 6 ou mais do que 9 horas por dia.

Nós, humanos, somos capazes de aprender, armazenar e de nos lembrar de vários tipos de informação, por via de várias formas e em diferentes períodos de tempo. Desde a aquisição consciente (o tradicional estudo) até à deteção de eventos incidentais (acontecimentos). E assim como não podemos dormir sem sonhar, também não podemos estar acordados sem estar conscientes (apesar de, por vezes, não parecer ser bem assim) (Kryger & Roth, 2017).

É quando o cérebro se encontra em estado bela adormecida que ocorre um enorme número de processos cognitivos. Entre eles, o processamento de estímulos externos, a revivência de experiências passadas e a solidificação de nova informação em memória.

É certo que não nos poderemos esquecer da importância do nosso ritmo circadiano. Este, é diferente do nosso relógio biológico (é comum confundir-se). A interrupção do nosso relógio circadiano tem vindo a ser ligado à uma série de anormalidades e patologias, tanto psicológicas como físicas ao longo de muitos anos. O trabalho por turnos e a mudança repentina de fuso horário (viajar) causam interrupções no metabolismo. Assim, para aqueles que valorizam a sua dose diária natural de testosterona sintetizada pelo próprio corpo (na prática desportiva ou para manutenção da líbido) terão que reconhecer o importante papel que desempenha o sono.

 

A insónia (ausência de sono), por sua vez, é um quadro clínico que se aplica em até 33% da população. E quando falamos da insónia (crónica) na ausência de causas (não efeitos) fisiológicas, a terapia cognitiva-comportamental tem uma taxa de sucesso de entre 70 a 80%. Trata-se de uma intervenção psicológica sem intervenção farmacológica ou risco de efeitos secundários. Os seus efeitos são igualmente mais duradouros (Mitchell, Gehrman, Perlis, & Umscheid, 2012). É claro que faço não só referência ao bem-estar mental, como igualmente ao apoio no controlo do peso, recuperação física, (re)produtividade, capacidade mnésica…

Como em outras intervenções também, o sucesso depende da capacidade e motivação da pessoa de implementar as técnicas terapêuticas no dia-a-dia.

Ah, e uma última dica para quem enfrenta elevadas quantidades de matéria que precisa de decorar: Estudantes de medicina (n=347) que dormiam duas vezes por dia (sono bifásico, i.e. 6h + 2h em cada 24h) obtiveram os melhores resultados nos seus exames. Isto, em comparação com os hábitos tradicionais de sono (monofásico) e polifásicos (Saeed, Hasan, & Atif, 2015). Ou seja, quando estiveres na dúvida se hás de dormir uma siesta ou não, agora já te podes deitar descansado ao meio da tarde.

Resta informar o estimado leitor que o Phive tem maneira de ajudar. Experimenta a consulta de psicologia sem compromissos ou restrições. A primeira é gratuita. Informa-te na receção.

Com os melhores cumprimentos,

Dr. Ruben Spilker

Psicólogo Clínico

Bibliografia:
Kryger, M. H., & Roth, T. (Eds.). (2017). Principles and Practice of Sleep Medicine (6th ed.). Philadelphia.
Mitchell, M. D., Gehrman, P., Perlis, M., & Umscheid, C. A. (2012). Comparative effectiveness of cognitive behavioral therapy for insomnia: a systematic review. BMC Family Practice, 13, 40. https://doi.org/10.1186/1471-2296-13-40
Saeed, Z., Hasan, Z., & Atif, M. (2015). Sleep Patterns of Medical Students; Their Relationship With Academic Performance: a Cross Sectional Survey. Professional Medical Journal, 22(7), 919–923.