A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda um mínimo de 60 minutos diários de atividade física de intensidade moderada, para crianças e jovens, e um mínimo de 30 minutos diários de atividade física moderada, para adultos incluindo idosos. Ao nível mundial, os números indicam que há um aumento de inatividade física e sedentarismo, fruto da vida moderna – sem tempo para o próprio indivíduo apesar das ofertas aumentarem de ano para ano. Portugal não foge à regra! De acordo com os dados do Eurobarómetro (2014), 72% dos adultos Portugueses “nunca” ou “raramente” faziam exercício ou desporto, e apenas 23% cumpriam as recomendações da OMS. Estima-se que em Portugal a inatividade física seja responsável por: 8% dos casos de doença das artérias coronárias; 11% dos casos da diabetes do tipo II; 14% dos casos de cancro da mama e 15% de cancro colo-rectal.

Uma das principais desculpas para a inatividade física é a falta de tempo – as horas de trabalho são muitas e ao final do dia não há disposição /motivação para fazer qualquer tipo de atividade física. Por outro lado, também é comum as pessoas referirem que chegam ao final do dia com dores nas costas, membros superiores e inferiores, ou até mesmo dores de cabeça. Posturas ocupacionais ou funcionais inadequadas por tempo prolongado, em função de postos de trabalho mal projetados podem acarretar lesões de caráter ocupacional. Surgem então os desequilíbrios musculares que, associados ao stress mental do dia a dia, geram resultados negativos para a saúde dos profissionais e a longo prazo alterações em todo o organismo.

Um dos objetivos da Estratégia Nacional para a Promoção da Atividade Física, da Saúde e Bem-Estar (2016-2015), passa pelo trabalho intersectorial. Neste ponto podemos encontrar descrito “3.6 Empresas e suas Associações: Importa criar parcerias com as empresas e as Associações Empresariais para se encontrarem estratégias que promovam a atividade física e diminuam o sedentarismo dos seus trabalhadores. (…) tal como a criação de rotinas em que se realizem exercícios simples, adaptados ao espaço existente, (…)”. Resumidamente, este objetivo visa a implementação de uma rotina de exercícios moderados no próprio local de trabalho que podem ser considerados como Ginástica Laboral (GL).

A conceito de GL começou a ganhar adeptos em Portugal já em pleno séc. XXI, e presentemente há uma série de empresas com essa missão – levar ao local de trabalho a GL.           “Ginástica Laboral consiste num conjunto de movimentos físicos, escolhidos em função das caraterísticas da atividade profissional, de forma a compensar as estruturas mais utilizadas e ativas e as não (ou pouco) usadas, através de exercícios com intensidade suave, diminuindo a fadiga e as algias, em função das condições existentes. É uma estratégia de prevenção de doenças profissionais e acidentes de trabalho, em conjugação com a Ergonomia (…) A GL pode ser dividida em preparatória (ou aquecimento), compensatória (ou pausa) e relaxante (…).” As sessões de GL têm uma duração entre 8 a 15 min, no próprio local de trabalho de modo a quebrar a rotina e a prevenir desta maneira lesões ocupacionais. As sessões são realizadas com o que as pessoas têm vestido e calçado, e usam-se materiais auxiliares como bolas, balões, cordas, etc. Não são verdadeiras aulas de fitness, não têm como objetivo emagrecer, mas oferecem um conjunto de benefícios à saúde no trabalho e ajudam as pessoas a adotar estilos de vida mais saudáveis e ativos.

Os 10 benefícios da ginástica laboral:

  1. Reduz os níveis de stress, sedentarismo, depressão e ansiedade.
  2. Diminui os episódios de tendinites e de outras lesões musculares, relacionadas com tarefas repetidas e más posturas.
  3. Previne estados de desconforto e dor originados por movimentos repetitivos.
  4. Aumenta a concentração nas atividades desempenhadas.
  5. Melhora a postura e a consciência corporal.
  6. Melhora a flexibilidade músculo-articular e a coordenação.
  7. Quebra a rotina e aumenta a motivação.
  8. Melhora as relações interpessoais e do trabalho em grupo.
  9. Aumenta os índices de produtividade.

Promove um estilo de vida mais ativo e ainda reduz os gastos com despesas médicas e absentismo.

Maria Inês Morte

Instrutora Phive Coach | Coordenadora Avaliações Físicas