Uma(s) perspetiva(s) sobre o comportamento alimentar

“Queria tanto conseguir controlar aquilo que como… tal como o meu peso”.

“O verão vem aí, e a minha habitual dieta pré-primavera, pós-natal, ainda não pegou”.

“Quando dei por mim, a tablete já foi”.

“…Claro que me sinto mal depois de comer, mas amanhã já compenso…”

 

…Ou não. Ora, pois.

Vivemos numa (ou melhor; noutra) década marcada por epidemias: entre elas, a obesidade, diabetes mellitus e doença cardiovascular. Aquilo que comemos é um fator importante no desenvolvimento e respetivo tratamento destas doenças. E aquilo que comemos, por sua vez, liga-se ao nosso entendimento acerca da razão pela qual comemos e aos fatores motivacionais que determinam as nossas escolhas alimentares. Passo a explicar:

O comportamento alimentar é uma interligação complexa entre fatores fisiológicos, psicológicos, sociais e genéticos que irão influenciar a hora e local em que comemos e a qualidade, quantidade, preferência e seleção dos alimentos ingeridos. Por exemplo; o sabor e a gustação irão participar na determinação da comida de preferência e, logo, na ingestão alimentar… é um fator genético participativo no comportamento alimentar.

Por outro lado, o dia cada vez tem menos tempo. Óbvio; o dia continuará com 24 horas… Uma hora é tempo, mas tempo não é uma hora. É a nossa perceção subjetiva que é influenciada pelas tarefas e afazeres diários. O progresso constante dos meios de comunicação… Um mundo mais pequeno, aconchegado… as exigências das quais nos procuramos livrar, ou que nos procuram prender… E o funcionamento a 110% que a vida nos exige, tem um custo. Ou alcançamos um equilíbrio que nos permite conjugar e organizar tudo (e fazer, milagrosamente, com que possamos prever o inesperado), ou temos de lidar com um assunto ou outro. Ora, quando lidamos com os assuntos através da comida, a tal “coisa” do título tem por hábito tornar-se um problema.

Tal problema pode traduzir-se em falta de autocontrolo, ansiedade, preocupação e … literalmente gordura ou magreza excessiva.

Perturbações do comportamento alimentar?

Sim, por vezes, hábitos e crenças podem desenvolver-se até este quadro clínico.

E porque é que ocorrem? Há muitas teorias, sem consenso específico. A explicação envolve perspetivas psicológicas, genéticas, epigenéticas, fisiológicas e sociais. Um grande consenso, porém, há em torno do controlo dos sentimentos e emoções, presentes e na base de todas as perturbações do comportamento alimentar. Quer isto dizer, que envolve sofrimento e uma alteração no consumo ou absorção alimentar que tem como consequência o impacto na saúde física ou psicossocial.

E… soluções?

A gestão das perturbações alimentares incide na ajuda para a qualidade de vida, sendo esta livre de pensamentos, comportamentos e sentimentos perturbados. As intervenções variam desde metodologias de autoajuda até ao internamento hospitalar com supervisão máxima e apoio multidisciplinar em casos extremos. A psicoterapia de apoio e a terapia cognitivo-comportamental, de mãos dadas com o nutricionista/dietista, formam o centro da intervenção, apontando para uma alimentação “normal” e estruturada, atendendo às falsas crenças, equívocos e atendendo ao sofrimento e stress resultante. Reaprendemos a nos alimentar, de novo.

 

Resta informar os estimados leitores que o Phive vos pode ajudar. Não só existe a consulta de nutrição, como também a de psicologia clínica. A primeira avaliação é gratuita. Informe-se na receção.

 

Com os melhores cumprimentos,

Dr. Ruben Spilker

Psicólogo Clínico